Tenho notado uma certa ausência de estilo nas coisas que eu escrevo. Acho que isso não é por acaso e em ano de vestibular a única coisa que se pode fazer é pirar mesmo. Os meus pedidos de atenção e as minhas chantagens emocionais, já não surtem o mesmo efeito e são cada vez mais frequentes. Provavelmente algum trauma (ou alguns) fez com que eu me tornasse o que eu sou hoje.
Muitas pessoas não me conhecem; alguns julgam até eu mesma não me conhecer e ser tão perdida quanto alguém na Praça do Correio procurando qualquer lugar para dormir. Daí elas chegam silenciosamente, sem fazer barulho algum, às 3 horas da madrugada quando as pessoas dormem e só você está acordado.
As crônicas - eu amo essa palavra, minha nossa. Elas transformam o universo do leitor de uma maneira única e rápida. E naquelas duas páginas eu me encontro. Preciso fazer uma homenagem, sem desmerecer os outros gêneros, mas colocando em evidência todo o seu "não efeito". Sabe o que é? Percebi o quanto é interessante fazer sem algum propósito. Quando nós vamos ao mercado, compramos no mercado e voltamos do mercado e por mais incrível que pareça, ficamos felizes só por irmos ao mercado. Quando vamos tomar um sorvete, pedimos o sorvete, abrimos o sorvete, olhamos no relógio, o sorvete pinga no chão, chegamos na casquinha do sorvete, nos melecamos, olhamos novamente no relógio - sujo de sorvete, terminamos o sorvete e ficamos felizes mesmo sabendo que fomos com o objetivo de tomar sorvete e conseguimos. As nossas felicidades são muito pequenas.
O planejamento é necessário, mas não é preciso planejar pra ser feliz. Ser feliz é reconhecer em qualquer coisa: em um desafio, em um amigo mudado, na saúde e na tristeza, na alegria e na doença, em todos os dias de nossas vidas o quanto nós podemos ser verdadeiramente felizes.
As crônicas, minha gente, fazem isso. Só quem já leu uma crônica e pôde admirar-se por parecer que o autor disse o que você sempre quis falar - uma grande besteira como aquele momento em que você olha para um ponto fixo e não consegue piscar, apesar de querer olhar pra outro lugar que não seja um traseiro; só quem já leu e que tem essa sensação de "ele está falando comigo" é que pode ser mudado. Perceber pode ser uma maneira equivocada, mas nós com certeza "nos acrescentamos" no que chamamos de nós.
O pinto perto da pia. A pia perto do pinto.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
Heleninha
Deixei Helena de lado. A menina morre, deixa algumas pessoas sentirem saudade e quer que eu conte de todas as suas fantasias? Eu, pra falar a verdade, nunca gostei dela. Ele viveu em um tempo que as pessoas achavam que mentir era mais fácil e todas as crianças foram criadas assim.
Por isso, não passava de uma menininha mimada e muito da mentirosa. Acreditava, a boba, em amor; só porque ela era, ridiculamente, apaixonante.
Por isso, não passava de uma menininha mimada e muito da mentirosa. Acreditava, a boba, em amor; só porque ela era, ridiculamente, apaixonante.
Homens,
Acreditava-se que um país seria criado. Nele, as diferenças não existiriam, uma nova religião seria seguida e ninguém passaria fome, nem frio, nem sede. Este seria um fenômeno, maior símbolo de igualdade entre os "tão iguais quanto os outros". Nossas percepções seriam idênticas; isso significa que o amor seria explicado da mesma forma para todas as pessoas e elas o entenderiam apenas ao definí-lo. O ápice desta proximidade entre os homens seria a origem de um novo adjetivo. Ninguém sabe explicar qual sua utilidade, mas ele, definitivamente, é sublime. Nenhum homem poderia desafiá-lo ao dizer que ser solidário é o máximo ou que sua parte já estava feita e que como ser-humano, sua hora havia passado e ele só queria descansar eternamente. Ser humano perto dessa nova qualidade era só o suficiente.
Sinto muito em dizer, mas tudo isso é mentira. Nós já conhecemos as nossas capacidades, só não entendemos ainda que o modo como enxergamos a humanidade é sempre nosso.
Sinto muito em dizer, mas tudo isso é mentira. Nós já conhecemos as nossas capacidades, só não entendemos ainda que o modo como enxergamos a humanidade é sempre nosso.
domingo, 21 de junho de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
DESABAFO aos amigos
Eu não peço que me coloquem pra baixo, nem pelos que só lembram de mim quando pensam precisar; sem conveniência, muito menos convivência; quero que se afastem cada vez mais os ausentes, também os presentes que deixarão de ser em breve e em "não tão breve assim". Não quero mais saber se são coitados, se confiam um pouco, se pretendem nunca perder o contato, porque "pretender" é um pensamento otimista e disso basta os que me elogiam sem eu merecer. Não concordem, colegas, se for pra me agradar e nem discordem, pelo mesmo motivo. Errem. Aprendam. Apontem. E só o seja, se quando questionado sobre o que ser , ter todas as palavras menos a que se espera. Eu SÓ preciso de amigos; quando eu precisar. E se perco algum ou percebo que nunca tive, perco parte de mim.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Língua
Eu gosto da língua que eu gosto
porque eu aposto que você vai embora
e se eu desgosto, você não demora
E a língua que eu gosto, me gosta também.
Se eu gosto da língua que eu gosto,
e se dança é língua, tem língua pra dança
e quaisquer outras têm.
Eu gosto da língua que eu gosto
Eu gosto da língua que eu gosto
foi assim que eu gosto, que eu nasci
eu gosto da língua daqui
E se o que eu gosto é da língua do morro
ou gosto da língua afinal
a língua que fica, sou eu quem morro
E se o que eu gosto é fatal.
porque eu aposto que você vai embora
e se eu desgosto, você não demora
E a língua que eu gosto, me gosta também.
Se eu gosto da língua que eu gosto,
e se dança é língua, tem língua pra dança
e quaisquer outras têm.
Eu gosto da língua que eu gosto
Eu gosto da língua que eu gosto
foi assim que eu gosto, que eu nasci
eu gosto da língua daqui
E se o que eu gosto é da língua do morro
ou gosto da língua afinal
a língua que fica, sou eu quem morro
E se o que eu gosto é fatal.
Minhas melhores produções são as do não asfalto - perífrase
Após uma acalorada discussão do pobre que nasce coitado e da vítima social, ou do "minha-mãe-disse-que-sim" e por isso é correto e justo julgar apenas por uma atitude, do que foi dito e outrora não-dito, e de um debate que rendeu boas conclusões baseadas no NUNCA... pensei. Não sei quando saí de uma aula depreciativa, portanto nada tensa, sei que saí. E de mim fui para o EU.
Mais fácil ocultar o sujeito nestes casos, os "eus" são menores hoje (construção direta, frase objetivissima). O importante mesmo é pensar.
Daí em diante (e só pode ser assim) e na mesma rua, atravessada 30 vezes, percebi o quanto a burrice tem a ver com a humildade. Explico: não em todos os casos; maior do que a tolice de atravessá-la pela trigésima-primeira, é sentir-se ignorante por não acompanhar meus vários parceiros de ir para o outro lado da rua, independente de onde minha casa está. Ao contrário, como sentir senão humildade/humanidade pelo semelhante incapaz? Foi quando uma alma jovem, com seu barulhento papel sulfite, assustou todos os torcedores presentes. Eis a definição do que eu estava dizendo a princípio, sem princípio nenhum.
Atravessei uma daquelas almas jovens, sem ela perceber, certificando-me de que ela estava segura. Correu. Provavelmente por ter assustado algumas pessoas.
Um gravador. A idéia. Como perder tanto conteúdo em lugar tão imundo?
Desisti de qualquer outra coisa que não me fizesse chegar logo. Vi uma velha, caminhando, lenta, lançando sua pele contra chão. Vi o menino, simpático, fumo na boca e pulmão aos ares.
Parei de ver e constatei: nunca serei uma boa advogada. Advogados estão presos em detalhes, em legislações, estão presos na memória, Fagner. Como eu tão insegura pessoa, de capaciadade falha e sem suporte (como este) para compensá-la, posso tornar-me uma advogada e ainda boa?
Serei para sempre uma acusação. Quem defende, acusa o outro de estar errado. Ô vidinha sem preconceitos, ô vida sem propósito.
Aos amigos, um conselho: se em uma audiência você não tiver alternativas, preste atenção no português. Alegar o que o faz afirmar com tanta voracidade, se não há provas, é ilegal? Embora não seja, nem sei o quanto é relevante, mas sem dúvida, FUNDAMENTAL.
(cúmulo da organização: escrever aqui o que se pode dizer na sexta-feira...
Diga ao Fogaça que papos no elevador são sempre agradáveis, principalmente se forem 6 vezes maiores).
Caro soluciona-dor dos meus problemas, nossas cartas serão editadas e as ilustrações delas terão o próprio concretismo futuro.
Mais fácil ocultar o sujeito nestes casos, os "eus" são menores hoje (construção direta, frase objetivissima). O importante mesmo é pensar.
Daí em diante (e só pode ser assim) e na mesma rua, atravessada 30 vezes, percebi o quanto a burrice tem a ver com a humildade. Explico: não em todos os casos; maior do que a tolice de atravessá-la pela trigésima-primeira, é sentir-se ignorante por não acompanhar meus vários parceiros de ir para o outro lado da rua, independente de onde minha casa está. Ao contrário, como sentir senão humildade/humanidade pelo semelhante incapaz? Foi quando uma alma jovem, com seu barulhento papel sulfite, assustou todos os torcedores presentes. Eis a definição do que eu estava dizendo a princípio, sem princípio nenhum.
Atravessei uma daquelas almas jovens, sem ela perceber, certificando-me de que ela estava segura. Correu. Provavelmente por ter assustado algumas pessoas.
Um gravador. A idéia. Como perder tanto conteúdo em lugar tão imundo?
Desisti de qualquer outra coisa que não me fizesse chegar logo. Vi uma velha, caminhando, lenta, lançando sua pele contra chão. Vi o menino, simpático, fumo na boca e pulmão aos ares.
Parei de ver e constatei: nunca serei uma boa advogada. Advogados estão presos em detalhes, em legislações, estão presos na memória, Fagner. Como eu tão insegura pessoa, de capaciadade falha e sem suporte (como este) para compensá-la, posso tornar-me uma advogada e ainda boa?
Serei para sempre uma acusação. Quem defende, acusa o outro de estar errado. Ô vidinha sem preconceitos, ô vida sem propósito.
Aos amigos, um conselho: se em uma audiência você não tiver alternativas, preste atenção no português. Alegar o que o faz afirmar com tanta voracidade, se não há provas, é ilegal? Embora não seja, nem sei o quanto é relevante, mas sem dúvida, FUNDAMENTAL.
(cúmulo da organização: escrever aqui o que se pode dizer na sexta-feira...
Diga ao Fogaça que papos no elevador são sempre agradáveis, principalmente se forem 6 vezes maiores).
Caro soluciona-dor dos meus problemas, nossas cartas serão editadas e as ilustrações delas terão o próprio concretismo futuro.
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